Reunidos em Assembleia-Geral Extraordinária e que foi convocada com um único ponto de agenda - que era a apresentação e discussão da proposta para o campo de futebol -, os sócios do emblema alvi-negro deram carta branca para que a Direcção do clube, encabeçada por Michel Grispos, pudesse avançar no negócio da venda do campo e posterior construção de uma infra-estrutura de raiz para o desenvolvimento das actividades desportivas do clube.
No encontro, ainda que o clube tivesse um registo de mais de 2000 sócios, certo é que tomaram parte do mesmo apenas 118 que, segundo a norma do funcionamento da colectividade, foram os que até a altura da realização da Assembleia-Geral tinham as quotas em dia, isto é, não estavam em dívida para com o clube.
PROJECTO AMBICIOSO
Há muito que uma solução era esperada para o campo de futebol do Grupo Desportivo de Maputo e ideias jamais faltaram.
O facto do campo não ser relvado e, por isso, estar fora das rotas do Moçambola fez sempre com que os alvi-negros não o pudessem utilizar e partissem para o aluguer de outros recintos para a realização dos seus jogos.
Durante algum tempo, a possibilidade de ser relvado e poder ser equacionado para a recepção de jogos do Moçambola não ficou de lado, mas, ao mesmo tempo, não ganhava muitos apoiantes principalmente pelo facto de ter uma série de constrangimentos que são os seguintes:
a erosão a que está sendo alvo a zona em que está o campo faz com que sempre que chove as areias que suportam as barreiras derroquem e se fixem no campo;
os acessos ao campo são praticamente inexistentes visto que, os terrenos circunvizinhos não são pertença do clube, o que faz com que não haja, inclusive, um parque de estacionamento para viaturas;
o nível friático é alto, o que faz com que, mesmo que fosse relvado, o terreno tornar-se-ia pantanoso e de má qualidade.
Perante tantas dificuldades, a solução viável, segundo os dirigentes alvi-negros, passava por vender o campo a quem estivesse interessado em erguer naquele local outro tipo de infra-estruturas que não fossem para a prática de futebol e, depois, partir para construir um complexo desportivo num outro lugar.
No último sábado, os sócios do Desportivo aprovaram com uma maioria esmagadora a projecto da venda do campo de futebol e consequente construção de um mega-complexo desportivo num outro lugar.
SOLUÇÃO SUSTENTÁVEL
Para os líderes alvi-negros, a solução votada pelos sócios é bastante sustentável e garante um futuro desportiva e economicamente forte para o clube, dado que se por um lado passará a ter novas e modernas infra-estruturas desportivas, por outro, passará a ter uma fonte fixa de captação de receita para o clube.
Ou seja, com a carta branca dada pelos sócios para que a direcção do clube venda o campo a um grupo empresarial, os alvi-negros não só terão a possibilidade de com o encaixe financeiro que tiverem farão uma obra de raiz como, por outro, continuarão accionistas da mesma nos projectos imobiliários que vai erguer no local onde neste momento está o campo.
Na essência, o projecto que os alvi-negros aprovaram e que nos próximos meses iniciarão a sua construção, inclui o seguinte:
cinco campos de futebol, sendo dois para o desenvolvimento e treinamento das equipas de escalões de formação, dois para o treinamento da equipa sénior um para os jogos oficiais de seniores e com capacidade de receber 6000 espectadores;
dois edifícios de apoio para a equipa sénior e as de formação;
um ginásio de musculação, lavandaria, sala de massagem, balneários e afins.
GUILHERME CABAÇO AVANÇA E ARRASTA MAIORIA
Muito antes da questão central da venda do campo de futebol e consequente partida para a construção de uma nova infra-estrutura ser levada a debate para posterior votação pelos sócios, certo é que a intervenção de Guilherme Cabaço a apoiar de viva voz o elenco de Michel Grispos nesta empreitada terá sido fundamental para sensibilizar aqueles sócios que, de qualquer das formas, ainda estivessem cépticos.
O sócio número um do clube deu o seu voto de apoio ao projecto e disse estar ao lado da direcção alvi-negra, palavras que terão caído como o último fôlego da campanha para a aprovação da iniciativa.
Minutos depois de ver os sócios a seguirem o seu exemplo e votarem a favor, Guilherme Cabaço era um homem feliz, rejuvenescido e crente relativamente ao futuro, não obstante os seus 89 anos de idade.
(Extraído do Jornal “Desafio” do dia 22 de Março de 2008)