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Uzaras descarta possibilidade de vender Binó

A última vez que Binó marcou foi a 21 de Janeiro
25 de Maio de 2007

O treinador da equipa principal de futebol do Desportivo de Maputo, Uzaras Mahomed, declinou por completo a possibilidade de dispensar o atacante Binó na reabertura do mercado de transferências no próximo mês de Junho, na sequência da inoperância ofensiva daquele que em 2006 e ao serviço do Têxtil do Púnguè, da cidade da Beira, foi o segundo melhor marcador da Liga Moçambicana de Futebol com oito golos, os mesmos que Dominguez e menos três que Maurício, agora colega nos campeões nacionais.

Contratado como uma vitória do elenco directivo de Michel Grispos no defeso, após superar as declaradas concorrências do Costa do Sol, Ferroviário de Maputo e Maxaquene, Binó está há quatro meses sem marcar e já começaram a surgir várias interpretações sobre o facto.

A primeira e última vez que Binó marcou ao serviço do Desportivo foi a 21 de Janeiro passado, dando a reviravolta de 2-1 em jogo da primeira mão da Super-Taça diante da sua antiga equipa.

De lá para cá o jogador tem passado em branco, razão para a entrevista que se segue com o treinador Uzaras Mahomed, feita hoje, sexta-feira, no dia em que foi divulgada a convocatória para o jogo diante do Ferroviário de Nampula, para a oitava jornada do Moçambola-2007 e em que Binó não consta devido a opção técnica.

O que é que se passa com Binó que não marca há quatro meses?
O caso de Binó é realmente difícil de entender. É um jogador que trabalha muito e no limite, mas infelizmente os níveis de finalização são muito débeis. Temos feito um trabalho específico com ele, temos trabalho bastante com o jogador, inclusive a nível mental, mas infelizmente o Binó não está a encontrar-se consigo mesmo. Está a passar por uma fase difícil e quero garantir, desde já, que temo-nos disponibilizado para o ajudar até do ponto de vista psicológico no sentido de lhe ajudar a atravessar esta má fase por que está a lhe apoquentar. É simplesmente isto o que posso dizer porque Binó é um jogador com potencial, tem um bom físico para um ponta-de-lança, trabalha e dedica-se muito, mas mesmo nos treinos tem muitas dificuldades de finalizar. É uma má fase que está a atravessar e que precisa da ajuda de nós todos. E é isso que temos estado a fazer aqui nos treinos e no dia-a-dia, tentando falar e trabalhar com ele nos aspectos em que tem sido menos forte de forma a que o possamos ter nas próximas jornadas nas condições em que foi contratado para ajudar o clube a marcar golos e, consequentemente, ganhar os jogos.

Entende-se que o problema de Binó está na sua movimentação como avançado, a forma como deve ser os momentos da equipa, o seu posicionamento de forma a aparecer no momento certo como um matador. Concorda que quando o jogador denota essas dificuldades deve-se colocar pressão sobre o treinador porque é quem trabalha com o jogador nos treinos e prepara-o para os jogos?
Eu não penso dessa forma porque se os outros 22 a 24 jogadores estão dentro desses movimentos não será por causa de um jogador que se vai colocar em causa o treinador. Se o futebol fosse essa lógica, então não haveria nenhum treinador para uma equipa de futebol. A gente viu o Derlei no Benfica de Portugal que só marcou um golo na última jornada do campeonato, mas isso não significa que enquanto não marcava o Fernando Santos não estava a fazer nada, mas o Benfica esteve em todas as frentes e para conquistar tudo. Agora, o que se deve entender é que em 2006 o Desportivo ganhou tudo sem o Binó, pelo que é ele que deve-se adaptar aos movimentos da equipa e não o treinador que deve arranjar formas para o jogador se encaixar na equipa. O Binó é quem deve-se encaixar na forma como o Desportivo joga. O Desportivo é um todo e não vai mudar o seu fio de jogo para adaptar o jogo de Binó.

Especificamente como descreve a sua forma de jogar?
O Binó vinha habituado a ser o organizador do jogo do Têxtil do Púnguè, com os restantes colegas a jogarem para ele em profundidade, mas eu não vou mudar o estilo do jogo do Desportivo porque contratamo-lhe. O Binó foi contratado como um matador e ele tem que se encaixar no Desportivo, o que, inclusive, tem acontecido, mas não está a marcar golos. E se ele não marca golos não será o treinador que o vai fazer na sua conta.

A pressão sobre o treinador é no sentido de que é da sua competência trabalhar com o jogador nos treinos de forma a saber quando e em que circunstâncias deve aparecer em determinado local para finalizar. Concorda que se isso não acontece o treinador é responsabilizado no que o Binó faz ou não faz?
O Binó aparece em muitas ocasiões para atirar ao alvo. Infelizmente é, neste momento, o jogador do Desportivo que mais desperdiça oportunidades de golo. Não concordo que ele não aparece na zona do tiro. Veja-se que todas as situações que o Desportivo desperdiça é o Binó quem as falha.

Então o que é se passa com ele?
É um problema dele como jogador. Está a passar por uma fase crítica. Isso acontece com os grandes jogador. Veja-se o caso recente que em Portugal afectou o Liedson, do Sporting, que esteve 10 jogos sem marcar e mesmo assim não houve condenações. Esperaram e fizeram um trabalho com o Liedson no sentido dele começar a marcar golos. O Binó quando começar a marcar golos vai ganhar confiança e será uma sequência de sucesso. Cá entre nós temos o caso de Maurício que ficou tanto tempo sem marcar. Se o Desportivo não estivesse a jogar para o Binó ele mal apareceria na zona de concretização. Ele deve deixar de ser perdulário. Nos jogos que o Desportivo empatou, o Binó foi o que mais golos desperdiçou os golos que precisávamos para ganhar. Ele não estás a atravessar um bom momento e isso não tem nada a ver com a movimentação da equipa. Se assim fosse ele não apareceria na zona de finalização. A equipa do Desportivo joga e serve o Binó de bandeja, mas ele falha, por vezes, inclusive, com a baliza escancarada.

Mas se ele falha ou é uma questão de gesto técnico, também pode-se fazer nos treinos?
Na alta-competição não é para se ensinar os jogadores a jogar. O Desportivo contratou o Binó a preço de Ouro e ele deve mostrar uma maior valia. Ele tem que mostrar que é uma maior valia e justifique porquê foi contratado. Nos seniores não se ensina a chutar a bola. O treinador sénior e de alta-competição está só para harmonizar os movimentos do grupo. Se os outros marcam porquê é que Binó não marca. Ele deve-se concentrar. Deve buscar o talento dele e finalizar.

Equaciona a possibilidade de na reabertura do mercado dispensar o jogador?
Neste momento não ponho essa possibilidade, mas se tiver que haver esse reajusto teria que conversar com a Direcção do clube porque penso que o Binó saiu muito caro ao Desportivo. Por essa razão não podemos dispensá-lo somente porque o treinador assim o entende. Teria que haver uma conversa com a Direcção do clube. No entanto, penso que ainda não chegamos a esse extremo de equacionar a saída dele na reabertura do mercado.



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